Depois de Donald Trump confirmar que elevará de 10 % para 50 % as tarifas sobre todas as importações brasileiras já em 1.º de agosto, companhias dos mais diversos setores estão reagindo de forma emergencial. O governo Lula tenta negociar, mas a proposta enviada em maio segue sem resposta, e executivos de GM, John Deere e Alphabet recusam lobby por temer retaliações.
Siderurgia em Minas Gerais
O ferro-gusa — 80 % dele vendido tradicionalmente aos Estados Unidos — sentiu o golpe primeiro. Usinas como Modulax e CSS anunciaram férias coletivas e manutenção antecipada, sem data para retomar os altos-fornos. O sindicato Sindifer fala em paralisações “quase impossíveis de reverter” no curto prazo.
Efeitos em outros setores
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Madeira (SC) : grupo Ipumirim suspendeu embarques de 65 contêineres/mês e colocou todo o quadro em férias.
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Carnes (MS) : cargas destinadas aos EUA já são redirecionadas a China, Sudeste Asiático e Oriente Médio.
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Químicos e suco de laranja : contratos cancelados e ações na justiça para barrar a tarifa.
Impacto macroeconômico
A Confederação Nacional da Indústria projeta perda de 100 mil empregos e queda de 0,2 p.p. no PIB. Só o ferro-gusa rendeu US$ 600 mi até junho e responde por 3 Mt/ano (quase ¾ das vendas externas do produto)
Por que isso importa para os brasileiros no exterior?
Quem vive fora costuma enviar remessas e investir no país; a desaceleração industrial pressiona câmbio, emprego e renda de familiares. Além disso, produtos brasileiros ficarão mais caros nos EUA, afetando restaurantes, lojas e empresários da diáspora que dependem desses insumos.



