Nova proibição de viagens de Trump visa controle e influência

Nova proibição de viagens de Trump visa controle e influência

A nova versão da proibição de viagens implementada pelo ex-presidente Donald Trump reacende debates intensos sobre seus verdadeiros propósitos. Diferente da primeira versão de seu governo em 2017-2018, que claramente buscava restringir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos — conforme promessa de campanha —, a nova medida parece mirar países com pouca ou nenhuma ligação com o terrorismo internacional.

Apesar de Trump alegar que a nova política serve para barrar “assassinos” e pessoas “horrorosas”, os dados mostram que o grupo mais afetado inclui estudantes e empresários vindos de países da África, Ásia, Caribe e Oriente Médio. Uma das justificativas citadas na ordem executiva é o alto índice de estrangeiros que permanecem nos EUA após o vencimento do visto, especialmente estudantes. Porém, os números são relativamente pequenos — no caso da Guiné Equatorial, por exemplo, apenas 233 pessoas com visto estudantil estariam irregulares.

Curiosamente, o caso recente que impulsionou a medida envolveu um cidadão egípcio em um ataque no Colorado, mas o Egito não consta na lista de países banidos. Tampouco o Kuwait, país de origem do suspeito. Em vez disso, foram incluídos países como Mianmar e Guiné Equatorial — regiões que não apresentam ameaça significativa à segurança americana, segundo especialistas.

A nova lista também abrange países associados a terrorismo, como Irã, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen — já presentes na proibição original. No entanto, uma análise do Washington Post revelou que nos últimos anos, nenhum cidadão desses países cometeu atentados nos EUA. O único caso citado foi um homem sudanês que matou uma pessoa em uma igreja no Tennessee, em 2017.

Para o especialista David Bier, do Cato Institute, essa nova rodada da política migratória carece de coerência e parece mais uma ferramenta de poder do que uma questão de segurança nacional. Ele argumenta que as autoridades consulares americanas já realizam vetos e triagens rigorosas há décadas, tornando as justificativas de Trump pouco convincentes.

Além disso, o Afeganistão agora está na lista, o que ameaça milhares de afegãos ligados a ex-colaboradores dos EUA durante a guerra, e que aguardam há anos para reunir-se com suas famílias nos Estados Unidos.

Enquanto isso, Trump sinaliza seletividade política ao afirmar que não deseja impedir a entrada de estudantes chineses — indicando que poderá haver exceções estratégicas baseadas em interesses comerciais e diplomáticos. O próprio Bier sugere que a lista de países banidos pode ser usada como barganha em negociações tarifárias e diplomáticas, ampliando o controle do governo Trump tanto internamente quanto nas relações exteriores.

A nova política, portanto, parece menos uma questão de segurança e mais uma estratégia de dominação, controle e diplomacia coercitiva.