ICE intensifica detenções e ultrapassa 100 mil em 2025

ICE intensifica detenções e ultrapassa 100 mil em 2025

O ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA) ultrapassou a marca de 100 mil imigrantes detidos apenas nos primeiros meses de 2025, com operações cada vez mais frequentes em tribunais, locais de trabalho e bairros residenciais. Somente entre os dias 3 e 4 de junho, mais de 4 mil pessoas foram presas — número bem acima da média diária dos anos anteriores.

Documentos internos revelam que a agência está operando com uma meta diária de 3 mil prisões, e, para manter esse ritmo, o governo federal solicitou ao Congresso recursos adicionais para ampliar os centros de detenção e contratar novos agentes. Até o dia 5 de junho, cerca de 54 mil imigrantes estavam sob custódia do ICE, número que pode dobrar nos próximos meses.

Entre os casos que mais repercutiram está o de Marcelo Gomes, um jovem estudante brasileiro de 18 anos, detido em Massachusetts a caminho do treino de vôlei. Embora estivesse sem antecedentes criminais, Marcelo foi preso por estar com o visto vencido. Segundo o ICE, o alvo inicial da operação era seu pai. Ele foi libertado por decisão judicial, mas seu caso levantou preocupação, especialmente em cidades santuário, que não colaboram diretamente com ações federais.

Estratégias agressivas e detenções sem mandado

Além do aumento numérico, o ICE também está adotando novas táticas operacionais. E-mails internos revelados pelo jornal The Guardian mostram que agentes foram orientados a “usar a criatividade” para prender imigrantes, mesmo aqueles sem antecedentes criminais ou que não eram alvos diretos das ações. Essas pessoas, conhecidas como “collaterals”, são detidas por estarem presentes durante outras abordagens.

Embora juridicamente o ICE possa realizar prisões com mandados administrativos emitidos pela própria agência, e não por um juiz, limites legais permanecem, como a proibição de entrar em residências sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. Mesmo assim, a prática tem sido duramente criticada por grupos de direitos civis, como o National Immigrant Justice Center, que alertam para riscos de abuso de autoridade, prisões indevidas e perfis raciais.

Por outro lado, o Departamento de Segurança Interna (DHS) defende as medidas, afirmando que os agentes “finalmente podem fazer seu trabalho” e que a aplicação das leis migratórias está sendo fortalecida em todo o país.