Em 24 de julho de 2025, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília reproduziu no X (ex-Twitter) declarações do subsecretário Darren Beattie chamando o ministro Alexandre de Moraes de “coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Bolsonaro”. A afirmação, que ecoa críticas de alas conservadoras norte-americanas, foi vista em Brasília como ingerência direta nos inquéritos do STF sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
O Departamento de Estado aprofundou o embate ao suspender vistos de magistrados brasileiros e alegar violações ao devido processo legal e à liberdade de expressão. O secretário Marco Rubio enquadrou as decisões do Supremo como “caça às bruxas com motivação política”.
O Itamaraty reagiu imediatamente, convocando o encarregado de negócios Gabriel Escobar para prestar explicações.
Horas depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que “o Brasil não aceitará interferência externa em suas instituições democráticas”, reiterando a independência do Judiciário.
Moraes, relator das investigações sobre o ataque às sedes dos Três Poderes em 8/1 e sobre a tentativa de golpe atribuída a Jair Bolsonaro, conduz processos que já somam dezenas de réus — inclusive o próprio ex-presidente, agora obrigado a usar tornozeleira eletrônica.
A crise diplomática ocorre num momento de pressão econômica: a Casa Branca anunciou tarifas de até 50 % sobre exportações brasileiras e ameaça novas sanções, enquanto o Brasil recorre à OMC e discute medidas de retaliação.
Analistas veem o episódio como parte de uma disputa maior pela narrativa sobre democracia na região e alertam que o impasse pode atrasar negociações comerciais e cooperação em defesa e meio ambiente.



