Bolsonaro lamenta tarifa de Trump e pede anistia

Bolsonaro lamenta tarifa de Trump e pede anistia

O vídeo do UOL News mostra Jair Bolsonaro reagindo ao tarifaço de 50 % imposto por Donald Trump às exportações brasileiras. O ex-presidente diz não “se alegrar” com a medida, pois ela penaliza produtores rurais e consumidores, mas afirma que o gesto dos EUA está ligado a “valores e liberdade” — em especial, à insatisfação de Trump com os processos judiciais contra ele e seus aliados. Bolsonaro sustenta que a aprovação de uma anistia ampla aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro seria o caminho para “trazer paz” e, por tabela, aliviar as tensões comerciais.

O tarifaço foi anunciado em 9 de julho de 2025, num momento em que Trump busca pressionar o governo Lula a encerrar as investigações relativas à tentativa de golpe de 2022-23. O ex-presidente norte-americano justificou a sobretaxa argumentando que o Supremo brasileiro “persegue” Bolsonaro, classificando o caso como “caça às bruxas”.

Em resposta, Luiz Inácio Lula da Silva prometeu medidas recíprocas, invocando a Lei de Reciprocidade Econômica aprovada em abril, e ressaltou que a justiça brasileira não se submete a pressões externas. A escalada tarifária já afeta mercados de soja, carne e minério, provoca queda no Ibovespa e suscita temores de retaliação em cadeias globais. El País

Economistas lembram que os EUA importam cerca de US$ 40 bi anuais em produtos brasileiros; um aumento de 40 p.p. nos impostos poderia tirar até 0,4 ponto do PIB do Brasil em 2025. Especialistas em comércio avaliam que o gesto de Trump pode fortalecer o discurso nacionalista de Lula, mas também ampliar o debate interno sobre anistia, já que parte do agronegócio — base eleitoral de Bolsonaro — teme prejuízos imediatos.

Apesar de sustentar que “não vibra” com a tarifa, Bolsonaro aproveita o episódio para pressionar Congresso e STF: sem anistia, diz ele, o país perderia competitividade e empregos. O tema deve dominar o noticiário econômico e político nas próximas semanas, com possíveis impactos nas negociações do Mercosul e na agenda do BRICS.