Pausa tática expõe fome em Gaza

Pausa tática expõe fome em Gaza

Em 27 de julho de 2025, as Forças de Defesa de Israel (FDI) iniciaram uma “suspensão tática” diária das operações militares em três zonas da Faixa de Gaza — al-Mawasi, Deir el-Balah e Cidade de Gaza — das 10h às 20h locais, alegando facilitar a chegada de ajuda humanitária.

Segundo os militares, rotas “seguras” seriam sinalizadas para comboios e caminhões de socorro, apesar de Israel manter que “não há fome” na região. A ONU e organizações de socorro contestam essa narrativa e afirmam que as restrições impostas desde março são a principal causa do colapso alimentar.

Uma análise recente da Rede de Classificação Integrada de Fases (IPC) concluiu que 100 % da população vive em situação de crise alimentar ou pior, com 470 000 pessoas em “Catástrofe” (Fase 5) — nível máximo de fome. IPC Info O Ministério da Saúde de Gaza registra 127 mortes por desnutrição, incluindo 85 crianças, e relatou outras seis mortes somente neste domingo. Al Jazeera.

Mesmo durante a pausa, os bombardeios e disparos continuaram, matando ao menos 62 palestinos no primeiro dia da trégua parcial e 42 civis que tentavam acessar distribuição de alimentos no sábado anterior. WFTV. Desde outubro de 2023, o total de mortos na faixa ultrapassa 58 500 pessoas, segundo a ONU. ReliefWeb.

Pressionada pela escassez, a Jordânia, o Egito e os Emirados Árabes realizaram lançamentos aéreos de farinha, açúcar e enlatados, mas agências como o PMA e a Oxfam alertam que o volume “mínimo” de caminhões liberados não cobre sequer 20 % das necessidades diárias.The Guardian.

No mar, a Marinha israelense interceptou o navio Handala, da Freedom Flotilla Coalition, a cerca de 40 mn (74 km) de Gaza, detendo 21 ativistas internacionais e confiscando fórmulas infantis, alimentos e medicamentos. AP News. A ação reacendeu críticas de juristas que veem violação do direito à livre passagem de ajuda humanitária.

Organizações humanitárias e vários governos pedem que a pausa tática seja convertida em cessar-fogo pleno e que todas as passagens — inclusive Rafah — sejam reabertas sem restrições para evitar uma fome em massa.